Claudio Abreu e Fernando de Jesus
Narcisista demais,
Ela é bonita demais.
Se adora ao espelho,
Sem ele não vive jamais.
Narcisista demais,
Ela é bonita demais.
Não larga aquele espelho,
Se olhando de frente e de trás.
Maridão sai pro trabalho,
Ela começa a se embelezar.
Passa óleo, pega sol,
Pro corpo lindo dourar.
Muito trato nos cabelos,
Nos olhos, na boca, nos pés e nas mãos,
Boa comida e malhação,
Vida dura não é com ela não.
Estressado demais,
Ele tem trabalhado demais.
Nem se olha ao espelho,
Disso não é capaz.
Estressado demais,
Ele tem trabalhado demais.
Não tem tempo prum espelho,
Ganhar dinheiro é o que ele faz.
Maridão rala feito louco,
Em casa só quer relaxar,
Peso é muito, exercício é pouco,
Mas carinho dela quer ganhar.
Ela anda muito desligada
Com ele, só se liga em televisão.
Sempre diz que está cansada,
Deixando o coitado na mão.
Rejeitado demais,
Ele anda grilado demais.
Não se toca, ao espelho,
Do que já foi e não é mais.
Rejeitado demais,
Ele anda grilado demais.
Se pergunta ao espelho:
Por que o amor não rola mais?
Maridão tá desconfiado:
O que que há com sua mulher?
Será que tem um namorado?
Por que ela não mais o quer?
Ele não tá sacando nada:
Ela apenas desencantou,
Virou sua própria namorada,
Por ela mesma se apaixonou.
Egoísta demais,
Ela é egotriper demais.
Ela se ama ao espelho,
O resto não importa mais.
Egoísta demais,
Ela é egotriper demais.
Ela é seu próprio espelho,
Só com ela mesma satisfaz.
intérpretes: Claudio Abreu e Eliane Gonzaga;
arranjo e contrabaixo: Paulo Sodré;
cavaquinho: Josué Ramos; violão: Léo Carvalho;
percussão (surdo, pandeiro, chan-chan e tamborim): Edinho.

